O ato da escrita requer um exercício constante de aperfeiçoamento, por isso é necessário sempre a reescrita do texto. Há também algumas noções importantes a serem observadas.
1) A clareza das idéias é obtida com o uso de palavras essenciais e simples, o que torna o texto mais conciso e natural. Use também, se possível, palavras curtas. Lembre-se, portanto, de que a concisão constitui um dos princípios determinantes para escrever bem.
2) A expressividade depende da escolha de palavras específicas, de maior precisão. O emprego do substantivo concreto se impõe ao do abstrato; oi específico ao genérico. Os verbos de ação, na voz direta, devem ter preferência na produção de um texto, como também os adjetivos e os advérbios que acrescentem informações.
3) A simplicidade deve ser uma característica marcante em qualquer texto, pois o emissor escreve para diversos tipos de interlocutores que precisam entender a mensagem.
4) A ordem direta constitui a norma essencial de quem escreve, porque ela encaminha mais facilmente o leitor à compreensão do texto. Portanto, seja objetivo e redija sem rodeios.
5) A Originalidade prevalece quando se evitam formas e frases desgastadas, assim como o emprego excessivo da voz passiva (será feito, será revisto).Escreva com criatividade, escolhendo palavras conhecidas, sem rebuscamentos, sem pedantismo vocabular e sem falsa erudição. Assim será possível produzir frases fluentes, objetivas e bem estruturadas.
6) A escolha das palavras deve seguir um critério rigoroso. Evite termo técnicos, modismos, lugares-comuns ou chavões, preciosismos e formas desgastadas pelo uso freqüente. Use uma linguagem elegante, criativa, e observe as estruturas e a pontuação em seu texto.
=============================================================================
Ana Terra
Aquele verão foi seco e cruel. Quando o áspero vento norte soprava, Ana Terra ficava de tal maneira irritada, tão brusca de modos e palavras, que D. Henriqueta murmurava: “ O que essa menina precisa mesmo
É casar duma vez...” Ana revoltava-se. Casar? O que ela precisava era mudar de vida, visitar de vez em quando Rio Pardo, ir a festas, ter amigas, ver gente. Aquela solidão ia acabar deixando-a doida varrida... Mas na presença do pai não dizia nada. Recalcava a revolta, prendia-a no peito, apertava os lábios para que ela não se lhe escapasse pela boca em palavras amargas. [...] Não raro, altas horas da noite, acordava com uma sede desesperada, metia a caneca na talha, bebia em longos goles uma água que a mornidão tornava grossa [...]. Muitas vezes o sono só lhe vinha de madrugada alta, e, vendo pela cor do horizonte que o dia tardava a raiar, concluía que não adiantava ir para a cama, pois, dentro de pouco, teria de acender o fogo para aquentar a água do chimarrão. O remédio, então, era molhar os olhos, lavar a cara, caminhar ao redor do rancho para espantar a sonolência.
Erico Veríssimo. Ana Terra. São Paulo: Globo, 1998. (Fragmento. Título criado para fins didáticos.)
Fato principal que introduz o texto: a inquietação de Ana Terra com a chegada do vento norte.. Além de Ana Terra, a mãe, D. Henriqueta, e o pai constituem os personagens que vivem no rancho, lugar ou ambiente retratado no texto. Os acontecimentos situam-se em um tempo determinado, num passado distante, de acordo com o relato (“Aquele verão foi seco e cruel”).
Observe que o narrador não participa das ações, apenas as informa. Trata-se de um narrador – onisciente, isto é, que tem ciência de tudo ( do latim omnis, tudo, mais sciente, que sabe, está ciente). Por isso ele conta a história em 3ª pessoa e descreve não apenas ações, mas até os pensamentos dos personagens: “ Ana revoltava-se”.
1) Leia o trecho que segue e responda às questões propostas.
O menino tinha dez anos. Quase meia hora andando. No com eco pensou num bonde. Mas lembrou-0se do embrulhinho branco e bem feito que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo uma coisa errada. (Nos bondes, àquela hora da noite, poderiam roubá-lo, sem que percebesse; e depois...? Que é que diria a Paraná?)
Andando. Paraná ,mandara-lhe não ficar observando as vitrinas, os prédios, as coisas. Como fazia nos dias comuns. Ia firme e esforçando-se para não pensar em nada, nem olhar muito para nada.
- Olho vivo – como dizia Paraná.
Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando em quando, assomava um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma mulher. Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali, à noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela lhe deu, ele seguiu. Ignorava a exatidão de seus cálculos, mas provavelmente faltava mais ou menos uma hora para chegar. Os bondes passavam.
João Antonio. Meninos do caixote.São Paulo: Atual, 1983. (Fragmento.)
a) Escreva o enredo ou a trama da narração lida.
b) Quais são os personagens? Comente sobre a participação deles no enredo.
c) Em que lugar se passa a história? Qual é o tempo da narrativa?
d) Narre algumas ações do personagem central.
e) O narrador conta a história em que pessoa? Justifique com elementos do texto.
2) Faça a seguir a leitura do poema de Camões.
Soneto
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela.
E a ela só por prêmio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
O poema é narrativo, pois o autor está contando , em versos, a história de um amor grandioso. Releia o texto e identifique os elementos dessa narrativa poética (enredo, personagens, espaço, tempo, ação e narrador)
3) Leia o tema de vestibular e faça o que se pede.
a) (UnB – DF)
Narração
Considerando as informações a seguir:
Situação – Praia de Itapuã, lotada ao meio-dia de um sábado num janeiro escancarado. Democracia ao sol: todas as classes sociais numa morena mistura. É claro que turistas também – vermelhos e de roupas coloridas. Brasileiristicamente, o verão está sendo comemorado entre tons de pele, ginga de corpo, caipirinha, frutos do mar e um bom papão à moda baiana, quando mais de duzentas pessoas invadem a praia levando o que podem: é o arrastão! Gritos. Correria. Pânico.
Personagens- Neto – jovem publicitário baiano, progressista, com fortes tendências a “compreender o mundo e perdoar a humanidade”. Dora – namorada de Neto, estudante de Administração, radical em suas posições:”aliança no dedo, véu e grinalda, sexo antes do casamento nem pensar, lugar de bandido é na cadeia”. Esmeralda – velha baiana do vatapá e do acarajé. Com trinta anos de praia, já viu de tudo: “ o mundo é assim mesmo, às avessas – o que fazer?”
Comece a sua história a partir do momento do arrastão, assumindo o ponto de vista de uma das personagens acima caracterizadas. Envolva-as na situação e, ser quiser, crie outras personagens, respeitando os limites da verossimilhança.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 9 de junho de 2009
Romantismo
ROMANTISMO
O Romantismo foi um movimento literário de grande repercussão na literatura ocidental, e, particularmente no Brasil, constituiu uma etapa decisiva na formação de nossa literatura.
O Romantismo foi um movimento rico, com múltiplos desdobramentos, mas há uma característica que distingue o escritor tipicamente romântico de todos os outros – o gosto pela confissão plena dos sentimentos, das emoções que povoam seu mundo interior, numa atitude individualista e profundamente pessoal. Embora essa característica possa ser encontrada em escritores de qualquer época, inclusive na nossa, é no século XIX que ela atinge maior intensidade, tornando-se um elemento identificador do Romantismo como estilo de época.
Contexto histórico
O Romantismo está relacionado a dois acontecimentos que mudaram a face da Europa: A Revolução Francesa e a Revolução Industrial, responsáveis pela consolidação da burguesia, que, infiltrando-se aos poucos na aristocracia, começou dominar a vida política, social, econômica e cultural.
O absolutismo cedeu lugar ao liberalismo, corrente filosófica fundamentada na crença da capacidade individual do homem. Por isso, o individualismo tornou-se um valor essencial para a sociedade da época. Em termos econômicos, o liberalismo pregava a livre concorrência.
A Revolução Industrial, por sua vez, gerou novos inventos com o objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção, provocando a divisão de trabalho e o surgimento da mão-de-obra especializada.
O progresso político, econômico e social da burguesia preparou terreno para o Romantismo, fenômeno cultural baseado na liberdade de criação e expressão, na supremacia do indivíduo, na desobediência aos padrões preestabelecidos.
Se de início os artistas que se denominavam românticos aceitaram as idéias da burguesia, mais tarde demonstrariam descrença e frustração diante da realidade forjada pelo espírito burguês. Por isso o Romantismo apresenta, às vezes, características contraditórias.
Tendo surgido na Alemanha, o movimento romântico conquistou a Inglaterra, a França e, posteriormente, todos os países europeus, de onde se difundiu para a América.
Não se pode imaginar que o Romantismo tenha sido uniforme. Foi um estilo rico, diversificado e muitas vezes contraditório.
Três componentes resumem o processo criativo dos românticos: paixão, emoção e liberdade, todos relacionados a uma subjetividade tão forte como nunca se tenha notado na arte ocidental.
Dessa subjetividade decorrem as características básicas dos textos românticos.
1 – Liberdade de criação
Mais que uma característica, trata-se de uma postura diante da arte e da vida. Se no Classicismo e no Arcadismo a norma era a imitação da arte greco-romana, considerada como modelo, no Romantismo o escritor rejeita qualquer modelo (nega o princípio de mimesis (imitação) e procura expressar-se por uma atitude pessoal, individual, que pretende ser única.Para os românticos, expressar-se significa exprimir sua personalidade, independentemente de quaisquer regras.
Esta característica só pode ser observada se compararmos um texto romântico com textos que se enquadram nos estilos de época anteriores ao Romantismo.
2 – Sentimentalismo
Enquanto o artista clássico analisa e expressa a realidade sobretudo através da razão, o romântico vale-se dos sentimentos. Por isso, é o sentimento de cada um que define a importância ou não das coisas.
3 – Supervalorização do amor
É a conseqüência mais imediata do sentimentalismo. O amor é considerado como a coisa mais importante da vida, em flagrante oposição ao valor mais cultivado pela burguesia: o dinheiro. Perder o amor significa perder o sentido da vida. Essa perda provoca basicamente três conseqüências: a loucura, a morte ou o suicídio, situações comuns em epílogos de romances românticos.
4 – Idealização da mulher
A mulher – objeto do amor romântico – é divinizada, cultuada, pura, aparecendo às vezes envolta numa atmosfera de mistério.
5 – Mal do século
Apalavra é uma tradução aproximada do termo spleen, que surgiu na Inglaterra e esteve em moda em toda a Europa no período romântico.
O mal do século origina-se basicamente de dois fatores. Um deles é a idéia aceita pelos românticos de que o espírito humano busca sempre a perfeição, a totalidade, o absoluto, o infinito. No entanto, sendo humanos, somos incapazes de atingir esse estado. A constatação dessa impossibilidade gera a angustia que caracteriza o mal do século. Outro fator é o desajuste do indivíduo na sociedade burguesa, que se revelava muito prática e objetiva, em oposição ao sentimentalismo exacerbado dos românticos. Desse desajuste social resultam:
a) pessimismo em relação à sociedade e a si mesmo;
b) prazer em sentir-se melancólico e sofrido;
c) busca do isolamento, da solidão.
Procurando saídas para esse desequilíbrio, as personagens de obras românticas desenvolvem mecanismo de evasão da realidade.
6 – Evasão ou escapismo
A evasão no tempo conduz a imaginação do escritor e da personagem romântica ao passado histórico de seu país ou ao passado individual de cada um (infância e adolescência).
Na volta ao passado histórico, o romântico europeu vai redescobrir a Idade Média, que ele idealiza como sendo uma época de estabilidade política e social. Tipos medievais como o cavaleiro das cruzadas e os monges reaparecem nas obras do Romantismo como personagens-símbolo dessa época.
Na Idade Média o escritor romântico europeu encontra também as origens de cada nação. Desse processo resulta o nacionalismo, uma das mais importantes características da literatura romântica.
A religiosidade,especialmente a proposta pelo cristianismo medieval, também se recupera nos textos românticos como conseqüência dessa volta ao passado.
Portanto, da volta ao passado histórico resultam as seguintes características observáveis em textos românticos:
a) Recuperação da cultura medieval,no Romantismo europeu;
b) exaltação da nacionalidade(nacionalismo),com a idealização do povo, aos heróis nacionais, da paisagem física;
c) religiosidade,de preferência aquela derivada do cristianismo.
Já no plano individual, o romântico volta-se para a sua infância ou adolescência, que é valorizada como um período seguro, sem preocupações, repleto de pureza e inocência.
A criança e o selvagem são vistos como modelos de inocência,pureza e bondade,porque ainda não teriam sido corrompidos pela sociedade.
Da volta à infância decorrem duas características dos textos românticos:
a) saudade e supervalorização da infância;
b) supervalorização do homem em estado selvagem.
A evasão no espaço conduz a imaginação romântica –tanto de autores quanto de personagens – para paisagens novas,estranhas e primitivas.
A natureza é concebida como um espaço ainda não corrompido; por isso, é sempre descrita como um espetáculo grandioso e tida como local de refúgio para o solitário.
Decorrem daí,no texto romântico:
a) exaltação da natureza;
b) valorização da natureza como refúgio seguro e sereno.
Outra maneira de evasão no tempo e no espaço é refugiar-se no sonho9,no devaneio, verdadeiros substitutos para a vida real.
Finalmente, o mais radical e definitivo de todos os processos de escapismo:a espera ou evocação da morte.
7 – Escolha de heróis grandiosos.
O Romântico exalta personagens históricas que foram incompreendidas em sua época. A obra que inaugura o Romantismo português, por exemplo, é um longo poema narrativo sobre a vida de Camões, poeta renascentista que viveu miseravelmente.
8 – Aceitação do mistério
O romântico admite a ocorrência de fatos inexplicáveis, fantásticos, sobrenaturais e os incorpora em suas obras.
9 – Subjetivismo
A realidade é vista através da atitude pessoal do escritor.Não existe a preocupação em fazer um retrato fiel e verídico da realidade, pois esta é oferecida, ao leitor, filtrada e mesmo distorcida pelas emoções do autor. O artista romântico é subjetivo porque cria mundos imaginários onde se refugia, usando sua capacidade criadora e sua emoção.
10 – Reformismo
Insatisfeito com seu mundo, o poeta propõe-se a mudá-lo, influenciado pelas correntes libertárias da época. Ansiando por grandes feitos que lhe tragam a glória, o poeta romântico dedica-se a causas sociais, como a abolição da escravatura, a república, etc.
11 – Fé
Em lugar da razão, os românticos cultivam a fé cristã e os ideais religiosos. A religião é um modo de integração do ser humano a Deus.
Fases do Romantismo português
Os quarenta anos de manifestação do Romantismo em Portugal, didaticamente, costumam ser divididos em três períodos: início ou momento de instalação do movimento ( quando ainda há traços do estilo anterior); apogeu e declínio ( quando traços do novo estilo começam a se fazer notar) e a fase de transição para o Realismo.
1ª fase – ( de 1825 a 1838): momento, ainda, em que atuam os valores neoclássicos. São representantes dessa fase Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho
2ª fase ( de 1838 a 1860): período em que as características do movimento romântico chegam ao exagero. Camilo Castelo Branco é seu principal representante.
3ª fase ( de 1860 a 1865): fase de transição para o Realismo. Algumas das obras de Camilo Castelo Branco apresentam características realistas ( como veremos mais adiante). Esse período tem como representantes Júlio Dinis e João de Deus.
O Romantismo foi um movimento literário de grande repercussão na literatura ocidental, e, particularmente no Brasil, constituiu uma etapa decisiva na formação de nossa literatura.
O Romantismo foi um movimento rico, com múltiplos desdobramentos, mas há uma característica que distingue o escritor tipicamente romântico de todos os outros – o gosto pela confissão plena dos sentimentos, das emoções que povoam seu mundo interior, numa atitude individualista e profundamente pessoal. Embora essa característica possa ser encontrada em escritores de qualquer época, inclusive na nossa, é no século XIX que ela atinge maior intensidade, tornando-se um elemento identificador do Romantismo como estilo de época.
Contexto histórico
O Romantismo está relacionado a dois acontecimentos que mudaram a face da Europa: A Revolução Francesa e a Revolução Industrial, responsáveis pela consolidação da burguesia, que, infiltrando-se aos poucos na aristocracia, começou dominar a vida política, social, econômica e cultural.
O absolutismo cedeu lugar ao liberalismo, corrente filosófica fundamentada na crença da capacidade individual do homem. Por isso, o individualismo tornou-se um valor essencial para a sociedade da época. Em termos econômicos, o liberalismo pregava a livre concorrência.
A Revolução Industrial, por sua vez, gerou novos inventos com o objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de produção, provocando a divisão de trabalho e o surgimento da mão-de-obra especializada.
O progresso político, econômico e social da burguesia preparou terreno para o Romantismo, fenômeno cultural baseado na liberdade de criação e expressão, na supremacia do indivíduo, na desobediência aos padrões preestabelecidos.
Se de início os artistas que se denominavam românticos aceitaram as idéias da burguesia, mais tarde demonstrariam descrença e frustração diante da realidade forjada pelo espírito burguês. Por isso o Romantismo apresenta, às vezes, características contraditórias.
Tendo surgido na Alemanha, o movimento romântico conquistou a Inglaterra, a França e, posteriormente, todos os países europeus, de onde se difundiu para a América.
Não se pode imaginar que o Romantismo tenha sido uniforme. Foi um estilo rico, diversificado e muitas vezes contraditório.
Três componentes resumem o processo criativo dos românticos: paixão, emoção e liberdade, todos relacionados a uma subjetividade tão forte como nunca se tenha notado na arte ocidental.
Dessa subjetividade decorrem as características básicas dos textos românticos.
1 – Liberdade de criação
Mais que uma característica, trata-se de uma postura diante da arte e da vida. Se no Classicismo e no Arcadismo a norma era a imitação da arte greco-romana, considerada como modelo, no Romantismo o escritor rejeita qualquer modelo (nega o princípio de mimesis (imitação) e procura expressar-se por uma atitude pessoal, individual, que pretende ser única.Para os românticos, expressar-se significa exprimir sua personalidade, independentemente de quaisquer regras.
Esta característica só pode ser observada se compararmos um texto romântico com textos que se enquadram nos estilos de época anteriores ao Romantismo.
2 – Sentimentalismo
Enquanto o artista clássico analisa e expressa a realidade sobretudo através da razão, o romântico vale-se dos sentimentos. Por isso, é o sentimento de cada um que define a importância ou não das coisas.
3 – Supervalorização do amor
É a conseqüência mais imediata do sentimentalismo. O amor é considerado como a coisa mais importante da vida, em flagrante oposição ao valor mais cultivado pela burguesia: o dinheiro. Perder o amor significa perder o sentido da vida. Essa perda provoca basicamente três conseqüências: a loucura, a morte ou o suicídio, situações comuns em epílogos de romances românticos.
4 – Idealização da mulher
A mulher – objeto do amor romântico – é divinizada, cultuada, pura, aparecendo às vezes envolta numa atmosfera de mistério.
5 – Mal do século
Apalavra é uma tradução aproximada do termo spleen, que surgiu na Inglaterra e esteve em moda em toda a Europa no período romântico.
O mal do século origina-se basicamente de dois fatores. Um deles é a idéia aceita pelos românticos de que o espírito humano busca sempre a perfeição, a totalidade, o absoluto, o infinito. No entanto, sendo humanos, somos incapazes de atingir esse estado. A constatação dessa impossibilidade gera a angustia que caracteriza o mal do século. Outro fator é o desajuste do indivíduo na sociedade burguesa, que se revelava muito prática e objetiva, em oposição ao sentimentalismo exacerbado dos românticos. Desse desajuste social resultam:
a) pessimismo em relação à sociedade e a si mesmo;
b) prazer em sentir-se melancólico e sofrido;
c) busca do isolamento, da solidão.
Procurando saídas para esse desequilíbrio, as personagens de obras românticas desenvolvem mecanismo de evasão da realidade.
6 – Evasão ou escapismo
A evasão no tempo conduz a imaginação do escritor e da personagem romântica ao passado histórico de seu país ou ao passado individual de cada um (infância e adolescência).
Na volta ao passado histórico, o romântico europeu vai redescobrir a Idade Média, que ele idealiza como sendo uma época de estabilidade política e social. Tipos medievais como o cavaleiro das cruzadas e os monges reaparecem nas obras do Romantismo como personagens-símbolo dessa época.
Na Idade Média o escritor romântico europeu encontra também as origens de cada nação. Desse processo resulta o nacionalismo, uma das mais importantes características da literatura romântica.
A religiosidade,especialmente a proposta pelo cristianismo medieval, também se recupera nos textos românticos como conseqüência dessa volta ao passado.
Portanto, da volta ao passado histórico resultam as seguintes características observáveis em textos românticos:
a) Recuperação da cultura medieval,no Romantismo europeu;
b) exaltação da nacionalidade(nacionalismo),com a idealização do povo, aos heróis nacionais, da paisagem física;
c) religiosidade,de preferência aquela derivada do cristianismo.
Já no plano individual, o romântico volta-se para a sua infância ou adolescência, que é valorizada como um período seguro, sem preocupações, repleto de pureza e inocência.
A criança e o selvagem são vistos como modelos de inocência,pureza e bondade,porque ainda não teriam sido corrompidos pela sociedade.
Da volta à infância decorrem duas características dos textos românticos:
a) saudade e supervalorização da infância;
b) supervalorização do homem em estado selvagem.
A evasão no espaço conduz a imaginação romântica –tanto de autores quanto de personagens – para paisagens novas,estranhas e primitivas.
A natureza é concebida como um espaço ainda não corrompido; por isso, é sempre descrita como um espetáculo grandioso e tida como local de refúgio para o solitário.
Decorrem daí,no texto romântico:
a) exaltação da natureza;
b) valorização da natureza como refúgio seguro e sereno.
Outra maneira de evasão no tempo e no espaço é refugiar-se no sonho9,no devaneio, verdadeiros substitutos para a vida real.
Finalmente, o mais radical e definitivo de todos os processos de escapismo:a espera ou evocação da morte.
7 – Escolha de heróis grandiosos.
O Romântico exalta personagens históricas que foram incompreendidas em sua época. A obra que inaugura o Romantismo português, por exemplo, é um longo poema narrativo sobre a vida de Camões, poeta renascentista que viveu miseravelmente.
8 – Aceitação do mistério
O romântico admite a ocorrência de fatos inexplicáveis, fantásticos, sobrenaturais e os incorpora em suas obras.
9 – Subjetivismo
A realidade é vista através da atitude pessoal do escritor.Não existe a preocupação em fazer um retrato fiel e verídico da realidade, pois esta é oferecida, ao leitor, filtrada e mesmo distorcida pelas emoções do autor. O artista romântico é subjetivo porque cria mundos imaginários onde se refugia, usando sua capacidade criadora e sua emoção.
10 – Reformismo
Insatisfeito com seu mundo, o poeta propõe-se a mudá-lo, influenciado pelas correntes libertárias da época. Ansiando por grandes feitos que lhe tragam a glória, o poeta romântico dedica-se a causas sociais, como a abolição da escravatura, a república, etc.
11 – Fé
Em lugar da razão, os românticos cultivam a fé cristã e os ideais religiosos. A religião é um modo de integração do ser humano a Deus.
Fases do Romantismo português
Os quarenta anos de manifestação do Romantismo em Portugal, didaticamente, costumam ser divididos em três períodos: início ou momento de instalação do movimento ( quando ainda há traços do estilo anterior); apogeu e declínio ( quando traços do novo estilo começam a se fazer notar) e a fase de transição para o Realismo.
1ª fase – ( de 1825 a 1838): momento, ainda, em que atuam os valores neoclássicos. São representantes dessa fase Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho
2ª fase ( de 1838 a 1860): período em que as características do movimento romântico chegam ao exagero. Camilo Castelo Branco é seu principal representante.
3ª fase ( de 1860 a 1865): fase de transição para o Realismo. Algumas das obras de Camilo Castelo Branco apresentam características realistas ( como veremos mais adiante). Esse período tem como representantes Júlio Dinis e João de Deus.
Assinar:
Postagens (Atom)