quarta-feira, 19 de maio de 2010

Como Escrever Bem

O ato da escrita requer um exercício constante de aperfeiçoamento, por isso é necessário sempre a reescrita do texto. Há também algumas noções importantes a serem observadas.
1) A clareza das idéias é obtida com o uso de palavras essenciais e simples, o que torna o texto mais conciso e natural. Use também, se possível, palavras curtas. Lembre-se, portanto, de que a concisão constitui um dos princípios determinantes para escrever bem.
2) A expressividade depende da escolha de palavras específicas, de maior precisão. O emprego do substantivo concreto se impõe ao do abstrato; oi específico ao genérico. Os verbos de ação, na voz direta, devem ter preferência na produção de um texto, como também os adjetivos e os advérbios que acrescentem informações.
3) A simplicidade deve ser uma característica marcante em qualquer texto, pois o emissor escreve para diversos tipos de interlocutores que precisam entender a mensagem.
4) A ordem direta constitui a norma essencial de quem escreve, porque ela encaminha mais facilmente o leitor à compreensão do texto. Portanto, seja objetivo e redija sem rodeios.
5) A Originalidade prevalece quando se evitam formas e frases desgastadas, assim como o emprego excessivo da voz passiva (será feito, será revisto).Escreva com criatividade, escolhendo palavras conhecidas, sem rebuscamentos, sem pedantismo vocabular e sem falsa erudição. Assim será possível produzir frases fluentes, objetivas e bem estruturadas.
6) A escolha das palavras deve seguir um critério rigoroso. Evite termo técnicos, modismos, lugares-comuns ou chavões, preciosismos e formas desgastadas pelo uso freqüente. Use uma linguagem elegante, criativa, e observe as estruturas e a pontuação em seu texto.
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Ana Terra

Aquele verão foi seco e cruel. Quando o áspero vento norte soprava, Ana Terra ficava de tal maneira irritada, tão brusca de modos e palavras, que D. Henriqueta murmurava: “ O que essa menina precisa mesmo
É casar duma vez...” Ana revoltava-se. Casar? O que ela precisava era mudar de vida, visitar de vez em quando Rio Pardo, ir a festas, ter amigas, ver gente. Aquela solidão ia acabar deixando-a doida varrida... Mas na presença do pai não dizia nada. Recalcava a revolta, prendia-a no peito, apertava os lábios para que ela não se lhe escapasse pela boca em palavras amargas. [...] Não raro, altas horas da noite, acordava com uma sede desesperada, metia a caneca na talha, bebia em longos goles uma água que a mornidão tornava grossa [...]. Muitas vezes o sono só lhe vinha de madrugada alta, e, vendo pela cor do horizonte que o dia tardava a raiar, concluía que não adiantava ir para a cama, pois, dentro de pouco, teria de acender o fogo para aquentar a água do chimarrão. O remédio, então, era molhar os olhos, lavar a cara, caminhar ao redor do rancho para espantar a sonolência.
Erico Veríssimo. Ana Terra. São Paulo: Globo, 1998. (Fragmento. Título criado para fins didáticos.)


Fato principal que introduz o texto: a inquietação de Ana Terra com a chegada do vento norte.. Além de Ana Terra, a mãe, D. Henriqueta, e o pai constituem os personagens que vivem no rancho, lugar ou ambiente retratado no texto. Os acontecimentos situam-se em um tempo determinado, num passado distante, de acordo com o relato (“Aquele verão foi seco e cruel”).
Observe que o narrador não participa das ações, apenas as informa. Trata-se de um narrador – onisciente, isto é, que tem ciência de tudo ( do latim omnis, tudo, mais sciente, que sabe, está ciente). Por isso ele conta a história em 3ª pessoa e descreve não apenas ações, mas até os pensamentos dos personagens: “ Ana revoltava-se”.

1) Leia o trecho que segue e responda às questões propostas.

O menino tinha dez anos. Quase meia hora andando. No com eco pensou num bonde. Mas lembrou-0se do embrulhinho branco e bem feito que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo uma coisa errada. (Nos bondes, àquela hora da noite, poderiam roubá-lo, sem que percebesse; e depois...? Que é que diria a Paraná?)
Andando. Paraná ,mandara-lhe não ficar observando as vitrinas, os prédios, as coisas. Como fazia nos dias comuns. Ia firme e esforçando-se para não pensar em nada, nem olhar muito para nada.
- Olho vivo – como dizia Paraná.
Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando em quando, assomava um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma mulher. Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali, à noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela lhe deu, ele seguiu. Ignorava a exatidão de seus cálculos, mas provavelmente faltava mais ou menos uma hora para chegar. Os bondes passavam.
João Antonio. Meninos do caixote.São Paulo: Atual, 1983. (Fragmento.)

a) Escreva o enredo ou a trama da narração lida.
b) Quais são os personagens? Comente sobre a participação deles no enredo.
c) Em que lugar se passa a história? Qual é o tempo da narrativa?
d) Narre algumas ações do personagem central.
e) O narrador conta a história em que pessoa? Justifique com elementos do texto.


2) Faça a seguir a leitura do poema de Camões.

Soneto

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela.
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

O poema é narrativo, pois o autor está contando , em versos, a história de um amor grandioso. Releia o texto e identifique os elementos dessa narrativa poética (enredo, personagens, espaço, tempo, ação e narrador)

3) Leia o tema de vestibular e faça o que se pede.

a) (UnB – DF)

Narração

Considerando as informações a seguir:
Situação – Praia de Itapuã, lotada ao meio-dia de um sábado num janeiro escancarado. Democracia ao sol: todas as classes sociais numa morena mistura. É claro que turistas também – vermelhos e de roupas coloridas. Brasileiristicamente, o verão está sendo comemorado entre tons de pele, ginga de corpo, caipirinha, frutos do mar e um bom papão à moda baiana, quando mais de duzentas pessoas invadem a praia levando o que podem: é o arrastão! Gritos. Correria. Pânico.
Personagens- Neto – jovem publicitário baiano, progressista, com fortes tendências a “compreender o mundo e perdoar a humanidade”. Dora – namorada de Neto, estudante de Administração, radical em suas posições:”aliança no dedo, véu e grinalda, sexo antes do casamento nem pensar, lugar de bandido é na cadeia”. Esmeralda – velha baiana do vatapá e do acarajé. Com trinta anos de praia, já viu de tudo: “ o mundo é assim mesmo, às avessas – o que fazer?”

Comece a sua história a partir do momento do arrastão, assumindo o ponto de vista de uma das personagens acima caracterizadas. Envolva-as na situação e, ser quiser, crie outras personagens, respeitando os limites da verossimilhança.

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